“Entre o orgulho e a modéstia existe a verdadeira humildade - uma das características do caráter equilibrado que Deus deseja desenvolver em você, que é ator, músico, artista plástico, ou qualquer outra pessoa que, com criatividade, se envolve no ministério da música e das artes. Deus está interessado na sua arte e no seu coração!” Extraído do livro: O coração do Artista – Rory Noland

sábado, 17 de setembro de 2011

A Adoração Pode Ser Um Show?

O crescimento do segmento evangélico trouxe alguns problemas muito sérios, como o surgimento de sincretismos (mistura do evangelho com outras crenças), liderança hipócrita, crentes nominais, igrejas ritualistas, igrejas de massa onde quase ninguém é conhecido, e uma verdadeira indústria, uma espécie de “economia evangélica”, cujo espantoso aumento é notado pelos especialistas, principalmente em duas áreas: a editorial e a de entretenimento.
Sob determinado ponto de vista, uma “economia evangélica” é aceitável e necessária, tendo em vista que os crentes também são consumidores e precisa haver oferta no mercado de livros, revistas e jornais que eles possam ler, bem como gravações musicais que possam ouvir e filmes que possam ver o que vem a dar também na necessidade de um sistema de comunicação (rádio e televisão). O problema é associar isto tudo com adoração, e a pergunta que se faz necessária é a seguinte: Existe, de fato, adoração em atividades que visam claramente o lucro financeiro e a promoção pessoal?
Os chamados shows de cantores e bandas ditos evangélicos constituem a mais evidente dessas atividades. A palavra “show” vem do inglês e quer dizer exibição, exposição. Está claro que, por mais que as pessoas que se exibem sejam de fato crentes e éticas, por mais que as letras falem de Deus e sua Palavra, tais shows visam expor a arte (nem sempre é possível chamar assim) delas e obter compensação financeira por isso
Mas, para piorar, temos aí pelo menos mais dois problemas: primeiro, as exigências de mercado interferem diretamente no conteúdo e estilo das músicas gravadas, produzindo um nivelamento por baixo, com muita coisa de péssima qualidade (pois é preciso gravar o que vende). Segundo, a grande maioria dos autores e cantores tem um conhecimento doutrinário raso, daí se produzindo verdadeiras heresias, que o povo repete como mantras. Ou, então, suprime-se o que não agrada como a menção à confissão de pecados, ao arrependimento, ao juízo final, etc.
Isso não quer dizer que não devamos adquirir bons discos, e os há. Mas chamar um “show gospel” de adoração é demais. Precisamos manter um distanciamento crítico que nos permita ver as coisas como de fato são. Apesar do conteúdo de fé daquilo que é exibido, um show gospel não é adoração.
Mas a resposta à pergunta acima tem um desdobramento. Se os chamados shows evangélicos se restringissem aos ambientes próprios para eles, seria “menos pior”. O problema é que o show gospel foi trazido para dentro da igreja, a adoração praticada nos cultos passou a seguir seu modelo, e aí o problema tornou-se muito maior.
Em primeiro lugar um show exige um grande ambiente e tecnologia pesada (instrumentos musicais, som, imagem, iluminação, etc.), investimento que a maioria das igrejas não tem condições de fazer, e quando fazem é em detrimento de coisas muito mais importantes como missões, evangelização, educação, serviço social, e outras atividades (e isso também é adoração).
Em segundo lugar, uma das principais características de um show é o alto volume do som, coisa não somente insuportável por ser prejudicial à saúde dos ouvidos, principalmente dos mais velhos, como também incompatível com um ambiente de culto. A música de adoração deve levar-nos à meditação, à reflexão e à comunhão com Deus, e não ao ensurdecimento e à agitação emocional.
Em terceiro lugar, os shows evangélicos reproduzem o estilo dos shows mundanos, e isso, por tabela, veio também para dentro dos cultos. A postura dos músicos é de exibição, são usadas palavras de ordem e gestos para estimular o auditório, mas o pior de tudo são as coreografias (ou danças, como alguns preferem), que nos fazem sentir como se estivéssemos assistindo a um programa do falecido Chacrinha. Não temos as “chacretes”, mas temos as “gospeletes”.
Em quarto lugar, mas não esgotando o assunto, o formato de show subverte completamente o propósito de um culto de adoração, pois visa o entretenimento. As pessoas vão a um show gospel para divertir-se e não para adorar a Deus. A música e mesmo a pregação, quando ela é admitida, é de molde a entreter o ouvinte. Nada de falar de pecado, de necessidade de arrependimento e transformação radical, de juízo final, etc. Faça um teste: quantos cânticos espirituais que você conhece falam desses assuntos? Portanto, precisamos urgentemente banir o show de nossos cultos de adoração. 
Fonte:http://prazerdapalavra.com.br/index.php - Pr. Sylvio Macri